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| Salém concentrado lendo. |
" Caro leitor(a), abaixo você lerá meu texto quando tinha 20 anos aproximadamente. Ao final dele, terá o texto reescrito agora, aos 31 anos. Boa leitura!"

Também esse foi um tempo no qual pude analisar minunciosamente a minha pré-adolescência e a minha situação hoje em relação aos blogs e ao que escrevo. Quando mais idade temos, mais serão as cobranças de fora. Por mais que você tenha sua própria opinião e exponha sobre, um errinho de dados ou pesquisa para compor sua opinião é fatal . "Mas Yuuko, existem diversas opiniões sobre um determinado assunto!", sim , porém digo de opiniões mal formuladas, no qual você não tem um bom ou total conhecimento, no qual você quer opinar mas não sabe como. Quando se é nova, você pode opinar sem medo de ser feliz, afinal de contas "você é uma adolescente e erra o tempo todo, quando crescer será mais centrada em suas opiniões". Bem, centrada eu sempre fui, só o jeito explosiva tive que domar com esse tempo. Por isso concordo com esta frase. Aliás
Pois bem, cheguei a ter receios de voltar e reativar meu blog pessoal. Na verdade este processo demorou 8 meses, por também pela falta de pique para idealizar o layout. Sempre criei layout do zero, mas não estou com gás para isso. Então, arranjei como pude e está aqui, este layout totalmente bizarro, que retrata o tão confusa é a minha mente quando se chega aos 20 anos e o choque da realidade com seu mundinho próprio, fora a inocência de todo aquele tempo em que você acreditava que o mal só passava pelas televisões. E não, não falo de uma menina mimada, porque isso eu nunca fui, mas falo de sua concepção de mundo pelo que você achava e pelo que você vive quando começa a pegar no batente sozinha, se forma na escola e vai lutar pela sua vida, dia-a-dia.
Sim , já dá para perceber a confusão só por este último trecho, mas voltarão quem for das antigas ou saberão quem for acompanhar agora, o quão é maravilhoso meu mundinho interior, o nosso mundinho interior e o quão útil é em relação a aguentar todas as pressões do que chamamos viver.
No mais, bem-vindo a minha mais nova casa, diante de tantas outras que já tive na Blogosfera: Bem vindo a minha mente.
Um Ode para outros tempos e outros momentos - 15/09/1993
Não tenho ideia de como começar este olá novamente, especialmente porque minha mente está um verdadeiro turbilhão de situações - como sempre. Voltar a publicar após quase longos anos sempre será um misto de nostalgia e reflexão sobre as mudanças que vivi e que vi acontecer, com os conhecimentos que possuo além do que já tinha, com um toque de autoconhecimento no momento mais crítico da minha vida. A blogosfera que conheci evoluiu de maneiras que, honestamente, me deixaram desconcertada e hoje se parece perdida, com poucos gatos pingados onde ainda se mantém. O que antes era uma comunidade vibrante de criatividade e troca de conhecimento e gosto além de ter se perdido em meio a novos formatos e tendências, vive muitas crises de imagem, mas... isso é em outro momento.
Eu ainda sempre irei lembrar vividamente dos tempos de Template Shop, dos gifs que brilhavam em cada canto, dos projetos de blogs que simulavam edifícios e das escolinhas temáticas. Pode parecer trivial, mas aquilo era muito mais do que entretenimento infantil. Eram iniciativas que traziam à tona uma riqueza de conhecimento, fosse sobre mangás, cultura oriental ou temas históricos. Era um ambiente onde a imaginação não tinha limites, e onde pessoas de todas as idades encontravam um espaço para aprender e ensinar. Muitos acabaram virando programadores, designers e outros meios digitais profissionais. Eu também sou uma delas.
Talvez soe um tanto saudosista, mas é inevitável.
Mesmo assim, ao contrário de muitos que abandonaram os blogs após o boom das redes sociais, eu nunca desisti de verdade, indo e voltando, parecendo inconstante tal como minha mente autista muitas vezes se apresenta. É verdade que me afastei por anos, mas não por falta de amor ao que fazia. A vida me apresentou desafios que não pude ignorar: trabalho, família (formei a minha) e, principalmente, problemas de saúde e meus tratamento envolvendo autismo. Quem me acompanhou no passado sabe que minha saúde sempre foi uma batalha constante e sempre será.
Hoje aos 30, apesar de tudo, fisicamente não parece que envelheci, me arrancando sinceras risadas de quem me chama de vampira, já que a minha alma é de velha no sentido de tudo o que já passei de dificuldade. Tornei-me mais cautelosa com o que compartilho publicamente, menos propensa a impulsos e, certamente, menos tolerante com certas coisas que eu já não era muito. Mas uma coisa não mudou: ainda defendo com unhas e dentes os amigos, especialmente contra aqueles que insistem em criticá-los de maneira injusta. Não ironicamente, sou uma "batata" no que tange a autodefesa.
Esses anos de penumbra também me permitiram uma análise profunda da minha relação com os blogs e com a escrita, revisitando meus ainda não publicados livros e contos, escritos por décadas, trancado a sete chaves. Com a idade, vêm as responsabilidades e, com elas, uma cobrança externa cada vez maior por precisão e embasamento. A juventude, com toda sua liberdade de expressão, dá lugar a uma maturidade que exige mais cuidado com as palavras. Opinar tornou-se um exercício de ponderação, onde um erro pode custar caro. Sempre fui centrada, mas com o tempo aprendi a domar minha exclusividade. Infelizmente, o respeito pelas opiniões alheias ainda é algo que o mundo luta para entender. E a vida, ainda mais corrida, as informações vindo a cada minuto e a cobrança extenuante da sociedade pelo sucesso, faz com que tudo pese nas costas.
Voltar a "bloggar" não foi uma decisão fácil mas também não é muito difícil. Passei meses ponderando, em parte pela falta de motivação para criar um novo layout do zero, algo que sempre fiz com paixão mas estou sem práticas e muito evoluiu em um curtíssimo espaço de tempo. Este layout que você vê aqui é um reflexo do meu estado mental: confuso, um tanto caótico, mas genuíno. É o choque entre a realidade que encarei na vida adulta e a inocência que perdi ao longo do caminho mas busquei manter em essência. Não, nunca fui mimada, mas a vida me mostrou uma realidade que não imaginava quando ainda estava na escola, antes de ser adulta.
Sei que essas palavras podem parecer um pouco dispersas, mas se você já me acompanhou antes ou está chegando agora, saiba que meu mundo interior é vasto e fascinante, ao ponto de me perder dentro dele, onde me sinto acolhida. E é nele que encontro forças para suportar as pressões da vida. Então, seja bem-vindo à minha nova casa, que na verdade é um retorno às raízes de tantas outras que já habitei na blogosfera. Bem-vindo novamente à minha mente.



